domingo, 24 de junho de 2012

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domingo, 19 de junho de 2011

Warren Buffett está “observando” ações no Brasil

Em sua tradicional apresentação aos acionistas da Berkshire Hathaway, no início de maio, Warren Buffett, o maior investidor do mundo, confirmou em poucas palavras o que diversos participantes do mercado por aqui já haviam notado. Por natureza econômico em seus comentários e capaz de um silêncio profundo quando fala de seus movimentos futuros, Buffett disse que estava “observando” ações no Brasil. Foi o suficiente para disparar uma onda de especulações mundo afora. 



Para uma empresa, receber a chancela do oráculo de Omaha equivale a um passaporte para as corporações de classe mundial. Traduzindo, o valor de suas ações subiria como um foguete. “Todo mundo quer ter Buffett como acionista”, diz Gustavo Ballvé, analista da empresa carioca de gestão de recursos Investidor Profissional, que segue os princípios do bilionário desde 1993 e investe na Berkshire desde 2004. “Isso representa a melhor avaliação possível da qualidade de uma corporação.” 
Desde o início, a estratégia de alocação de recursos da Berkshire Hathaway privilegiou o mercado americano. “Investimos US$ 6 bilhões em 2010, 80% disso nos Estados Unidos”, escreveu Buffett em seu último relatório. “Em 2011 vamos bater nosso recorde e investir US$ 8 bilhões, e esses bilhões a mais serão aplicados integralmente em companhias americanas.”
 
No entanto, essa estratégia tem limites, impostos pelo próprio tamanho de sua empresa, avaliada em US$ 204 bilhões no fim do ano passado. Mesmo nos EUA, não há tantas companhias grandes e rentáveis para sustentar o ritmo de crescimento almejado, o que o obriga a olhar para fora. “Buffett vem viajando ao Exterior e deve começar a fazer apostas grandes fora dos Estados Unidos, neste ano ou no próximo”, diz Barry James, presidente de uma gestora de recursos americana.
Buffett não é um neófito no Brasil. Em 2008, a Berkshire fez apostas no real brasileiro. Quais, ele não contou – o assunto mereceu meia linha no relatório aos acionistas daquele ano, uma peça que costuma ser lida pelo mercado financeiro como uma versão atualizada da Bíblia. No entanto, até agora ele não anunciou nenhum investimento direto por aqui. “Estou esperando um telefonema do Brasil”, disse aos analistas. “O desempenho do País em si tem sido extraordinário.”
Buffett revelou também que lhe ofereceram um negócio grande por aqui há algum tempo, mas as conversas não prosperaram. “O preço não fazia sentido”, comentou, sem mais detalhes. Que ações Buffett compraria por aqui? Não adianta perguntar, pois essa é uma daquelas informações que nem sua secretária sabe.
 
É preciso ler nas entrelinhas de suas cartas aos acionistas. Em seus últimos relatórios, o bilionário vem estabelecendo informalmente alguns dos parâmetros de escolha das empresas em que gosta de investir. Ele prefere companhias não muito caras, que tenham uma relação preço / lucro (P/L) inferior a 14, a média dos mercados emergentes. Há outros requisitos.
Um deles é um crescimento consistente nos lucros de, no mínimo, 50% nos últimos cinco anos, o que mostraria a capacidade da empresa de prosperar tanto em momentos de mercado aquecido quanto em tempos de crise. Outras exigências são uma rentabilidade patrimonial mínima de 10% e investimentos anuais maiores que 5% do patrimônio líquido.
Seguindo esses critérios, a empresa especializada Economatica levantou uma lista de 20 empresas, com nomes que vão da distribuidora de energia Coelce à seguradora Porto Seguro, passando pela TAM (veja a lista completa no portal da DINHEIRO:www.istoedinheiro.com.br). “É uma lista que deveria frequentar o portfólio de qualquer investidor”, diz Einar Rivero, sócio da Economatica. “São algumas das empresas com o crescimento mais sólido e consistente do mercado.”
Essa lista, porém, não abrange toda a filosofia de investimentos de Buffett, que vai muito além dos números. “Buffett começou sua carreira há mais de 40 anos imitando seu professor, Benjamin Graham”, diz Rui Tabakov Rebouças, que administra fundos nos Estados Unidos e é investidor na Berkshire. Segundo Rebouças, Graham só comprava ações muito baratas, que nunca dariam prejuízo.
Buffett compra ações baratas que podem dar muito lucro. Ele tem evitado setores sujeitos a imprevistos, como os de alta tecnologia e os muito regulamentados pelo governo. Isso tira da lista alguns papéis de empresas elétricas e telefônicas brasileiras, além de eliminar gigantes como Petrobras e Vale do Rio Doce. “São empresas excelentes, mas muito sujeitas à influência do governo”, diz Gustavo Ballvé.
Em fevereiro, correram fortes rumores no mercado de que Buffett teria comprado ações da Brasil Foods, resultante da compra da Sadia pela Perdigão (leia reportagem na página 84). Desde então, até quarta-feira 11, as ações subiram 5,3%, ao passo que o índice Bovespa recuou 2,5%. “A BRF é a típica empresa que poderia pertencer à Berkshire”, diz Elsen Carvalho, da Investidor Profissional.
 
O que a empresa acha disso? “Não confirmo nem desminto a informação”, diz Leopoldo Viriato Saboya, vice-presidente de finanças e relações com investidores. “Se alguém quiser adquirir menos de 5% das nossas ações, não somos obrigados a divulgar isso.” No entanto, o sorriso que acompanha a resposta de Saboya pode ser uma forte indicação de que, sim, os executivos a serviço do bilionário andaram fazendo perguntas por aqui.
Os analistas apostam em três outros papéis: Marcopolo, Odontoprev e Itaúsa, a holding do banco Itaú. A primeira, tradicional fabricante de ônibus, de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, e com um forte braço internacional, devido a sua presença no mercado de transporte coletivo. No relatório de 2010, Buffett comentou animado a aquisição, realizada em 2009, da ferrovia Burlington Northern Santa Fé, uma das maiores dos Estados Unidos.
Para ele, o transporte de cargas e pessoas por trens e ônibus é mais barato e mais sustentável do que o transporte individual. Nesse sentido, a Marcopolo se encaixa nas exigências. “Ela domina o mercado brasileiro, é boa geradora de caixa e pagadora de dividendos”, diz Rebouças. A Odontoprev também reúne amplas condições para ser uma das queridinhas do terceiro homem mais rico do planeta.
É uma forte geradora de caixa, praticamente não tem endividamento e consome pouco capital. “O problema é seu porte, a Odontoprev não faz nem cócegas em um gigante como a Berkshire”, diz Ballvé. Finalmente, a Itaúsa é capaz de fazer diferença nos números de Buffett: grande, lucrativa e solidamente estabelecida tanto no mercado financeiro quanto no setor de construção civil, que deverá apresentar bons retornos nos próximos anos. Por isso, vale a pena acompanhar os preços – e prestar muita atenção na divulgação do próximo relatório da Berkshire, marcado para abril de 2012.

#Warren Buffett está “observando” ações no Brasil
 
Fonte:
Isto É Dinheiro - Nº edição: 710 | Mercado Global | 13.MAI - 12:35 | Atualizado em 16.05 - 22:59

A pescaria de Buffett

O investidor dos investidores confirma interesse em fisgar ações brasileiras. Saiba quais ações poderiam cair na sua rede

Por Cláudio Gradilone

sábado, 25 de dezembro de 2010

Análise Fundamentalista

Como funciona a análise fundamentalista de ações

Entenda como os investidores analisam balanços e fazem contas para avaliar se determinada empresa está ou não barata

O megainvestidor Warren Buffett é o mais célebre exemplo de sucesso entre os adeptos da análise fundamentalista.

Nem todo mundo que investe por conta própria na bolsa é especialista em economia, negócios e finanças. Por isso mesmo, os relatórios de analistas de mercado acabam se tornando essenciais para ajudar na hora de escolher os melhores papéis e as empresas mais sólidas. Quem busca investimentos com boa rentabilidade no longo prazo - como forma de poupança ou mesmo de formação de uma previdência complementar - provavelmente vai se identificar mais com a análise fundamentalista, escola mais tradicional dos estudos de mercado. É claro que nem todo mundo será capaz de se transformar em um Warren Buffet ou um George Soros, grandes entusiastas dessa complexa vertente de análise. Mas vale a pena compreender alguns dos conceitos que a norteiam.
A análise fundamentalista busca, basicamente, avaliar a saúde financeira das empresas, projetar seus resultados futuros e determinar o preço justo para as suas ações. Para isso, os analistas levam em consideração os chamados fundamentos da empresa, isto é, todos os fatores macro e microeconômicos que influenciam no seu desempenho. A partir de uma minuciosa análise de todos eles, é possível projetar os resultados da companhia no longo prazo, em geral num período de cinco a dez anos. "A análise fundamentalista é uma foto do momento da empresa, que permite aos analistas projetar o futuro", resume Samy Dana, professor de finanças da FGV-SP.
Por buscar entender todos os fatores que influenciam o desempenho dos negócios de uma companhia, a análise fundamentalista encara o investimento em ações de uma maneira especial: o investidor se torna sócio da empresa. Uma boa análise leva em conta tanto fatores macro quanto microeconômicos. "Nós sabemos que as empresas não dependem só delas mesmas. Em um momento de crise, por exemplo, mesmo aquelas que tomam atitudes acertadas podem ter problemas", explica Dana.
Assim, de um lado, o analista avalia fatores como inflação, taxas de juros, câmbio, Produto Interno Bruto (PIB), finanças públicas e decisões governamentais; de outro, olha para as características do setor em que a empresa atua, seus concorrentes e para os resultados da empresa, como balanços, dividendos, lucro, governança corporativa etc. A análise da empresa leva em conta, portanto, tanto o lado quantitativo - seus números - quanto o qualitativo - seus controladores, executivos, a composição do conselho administrativo e assim por diante. "Damos cada vez mais ênfase ao lado qualitativo, pois muitas vezes é o motivo de as ações da empresa serem baratas", alerta Rafael Rodrigues, diretor de renda variável da gestora de recursos Rio Bravo.
Mas como todos esses fatores impactam no preço das ações e nas perspectivas de rentabilidade dos investimentos? É relativamente simples. Esses dados ajudam os analistas a determinar o "preço justo" das ações e, com isso, identificar se elas estão super ou subavaliadas pelo mercado. Embora as informações usadas como base pelos fundamentalistas sejam todas públicas, análises profundas levam não só à identificação de bons negócios para seus acionistas, como também à descoberta do que o mercado não está precificando.
Por exemplo, uma empresa com saúde financeira impecável pode estar subavaliada devido a problemas de governança de conhecimento dos grandes investidores, ou simplesmente por causa de eventos atípicos que não se refletem nos balanços, mas que serão passageiros. Cabe ao bom analista saber diferenciar. A avaliação do "preço justo" da ação também permite identificar investimentos relativamente mais seguros. "Busca-se uma discrepância entre o valor intrínseco da companhia e seu preço de mercado. Quanto maior essa diferença, maior a margem de segurança do investimento", explica Rafael Rodrigues.
A análise fundamentalista também fornece alguns indicadores que permitem ao investidor avaliar quanto valem suas ações, quanto elas podem gerar em dividendos, em quanto tempo ele pode recuperar o que investiu e assim por diante. É interessante conhecê-los para poder mensurar, na prática, os resultados de seu investimento. Os dados para calcular esses indicadores provêm dos demonstrativos financeiros das empresas, que também fornecem alguns conceitos que os investidores devem conhecer, como lucro operacional, ativo, passivo, patrimônio líquido, receita bruta e assim por diante.



Análise Fundamentalista 2

Análise das demonstrações financeiras

Enraizada na tradição contábil, a análise fundamentalista no Brasil tem como um de seus pontos de partida a análise das demonstrações financeiras das empresas, também conhecida como análise de balanços. As principais demonstrações financeiras são o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
Balanço Patrimonial (BP): reflete a posição financeira da empresa em determinado momento, em geral no fim do ano ou de um período prefixado. É formado por ativo (propriedade mensurável monetariamente), passivo (dívidas com terceiros) e patrimônio líquido (PL). O patrimônio líquido evidencia a riqueza da empresa, uma vez que é formado pelo capital investido pelos proprietários, acrescido do lucro retido, isto é, o lucro que não é distribuído pelos acionistas. Assim, a equação simplificada é ATIVO - PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO. E a leitura do balanço é feita da seguinte forma:


Balanço Patrimonial
Ativo
Bens (máquinas, terrenos, estoques, dinheiro, ferramentas, veículos, instalações etc.) + direitos (contas a receber, duplicatas a receber, títulos a receber, ações, depósitos em contas bancárias, títulos de crédito etc.).
Divide-se em:
- Circulante: contas que já são dinheiro (caixa, bancos etc.) + contas que se converterão em dinheiro rapidamente (títulos a receber, estoques etc.). É o ativo mais líquido.
- Realizável a Longo Prazo: contas que se transformarão em dinheiro mais lentamente (valores a receber no longo prazo). Menor grau de liquidez.
- Permanente: itens que dificilmente se tornarão dinheiro porque normalmente não são vendidos, mas que são usados para as atividades operacionais da empresa (prédios, máquinas etc.). Praticamente nenhuma liquidez.
Passivo
Contas a pagar, fornecedores de matéria-prima (a prazo), impostos a pagar, financiamentos, empréstimos etc.
Divide-se em:
- Circulante: contas pagas mais rapidamente (salários, impostos etc.).
- Exigível a Longo Prazo: contas pagas num prazo mais longo (financiamentos etc.).
Patrimônio Líquido (PL) (capital próprio)
Capital (injetado pelos proprietários) + Lucro reinvestido (resultante da atividade da empresa)
O PL seria, grosso modo, o equivalente, no lado do passivo, ao “Permanente” no lado do ativo. São as obrigações com os proprietários, que, evidentemente, não são exigíveis.


Demonstração do Resultado em Exercício (DRE): é o demonstrativo apurado ao final do exercício, em geral de um ano, que mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo. Não acumula de um exercício para o outro. A fórmula é simples: receita - despesa = resultado (lucro). Porém, existem vários "tipos" de lucros. Esses valores são obtidos à medida que são subtraídas determinadas espécies de despesas. Deste jeito:


Demonstração do Resultado em Exercício (DRE)
Receita bruta
resultado das vendas ou prestações de serviços incluindo impostos e sem excluir possíveis devoluções ou descontos nos preços das mercadorias e serviços
(-) Deduções
impostos sobre vendas, devoluções e descontos comerciais
(=) Receita líquida
receita real da empresa, base de cálculo para o Lucro Bruto
(-) Custo das vendas
custo da mercadoria ou serviço
(=) Lucro bruto
 
(-) Despesas Operacionais
necessárias para administrar a empresa, vender os produtos ou prestar os serviços e financiar as operações
(=) Lucro operacional
resultante apenas da atividade operacional da empresa
(-) Despesas não operacionais
(+) Receitas não operacionais
receitas e despesas resultantes de outras atividades que não a atividade operacional da empresa, como venda de ativos imobilizados, correção monetária etc.
(=) Lucro antes do imposto de renda (LAIR)
 
(-) Provisão para o Imposto de Renda (IR)
 
(=) Lucro depois do imposto de renda
 
(-) Participações
de debêntures, empregados e administradores, partes beneficiárias, contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados
(=) Lucro líquido
sobra líquida à disposição dos acionistas


Os analistas também costumam estudar a Demonstração de Origens e Aplicação dos Recursos (DOAR), a Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e a Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido. A primeira explica a variação do Capital Circulante Líquido da empresa, isto é, o fluxo de caixa. Esse demonstrativo ajuda o analista a entender como e por que a Posição Financeira mudou de um exercício para outro. O segundo apura o destino do Lucro Líquido, somando-o ao Lucro Acumulado (cujo destino ainda não foi definido) e definindo o saldo efetivamente disponível aos proprietários da empresa. Já o terceiro mostra todo acréscimo e diminuição do PL, assim como a formação de reservas, inclusive aquelas não originadas pelo lucro.


Análise Fundamentalista 3


Os principais múltiplos

De posse das informações dos demonstrativos financeiros, os analistas podem verificar a saúde financeira de uma empresa, por exemplo, comparando os demonstrativos de um ano para outro, para ver a evolução das contas, ou comparando demonstrativos de empresas diferentes de um mesmo setor, para verificar qual delas teve um melhor desempenho naquele exercício. Aliás, a análise sempre é mais confiável quando se considera também os concorrentes da empresa analisada e o seu desempenho ao longo dos anos.
A partir dos dados dos balanços, é possível também calcular uma série de índices e múltiplos. É importante ressaltar que isoladamente nenhum desses indicadores é suficiente para avaliar se os papéis de uma empresa são "bons" para se investir ou não. É preciso, portanto, considerar o conjunto de dados para tentar traçar um cenário, comparar indicadores de diferentes empresas de um mesmo setor e a variação deles de um ano para outro.
Conheça alguns dos principais índices e múltiplos da análise fundamentalista:
Ebitda (na sigla em inglês, Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização): o Ebitda representa o Lucro Operacional, acrescido de depreciação e amortização inclusas no custo dos produtos vendidos e nas despesas operacionais. Ele é expresso em percentual do faturamento, ou seja, quanto de lucro restou de cada real gerado pela atividade operacional da empresa. Vale lembrar que para bancos não é possível calcular o Ebitda.
Esse indicador é considerado eficiente porque mostra o real potencial de geração de caixa de uma empresa, uma vez que indica quanto dinheiro é efetivamente gerado por sua atividade principal. Seu mérito é desconsiderar a dedução das despesas financeiras, de depreciação e de impostos. Isso porque, na hora de contabilizar essas deduções, é possível ser bastante flexível, o que não torna o Lucro Líquido o indicador mais consistente. Quando se compara empresas de países diferentes, então, o Ebitda se torna uma ferramenta ainda mais importante.
Considera-se que esse indicador pode medir com precisão a produtividade e a eficiência do negócio. No entanto, o Ebitda não considera o montante de reinvestimento requerido pela depreciação. Em outras palavras, não considera se a empresa reserva uma parte de sua receita para reinvestir, por exemplo, na renovação de suas máquinas e equipamentos que, com o tempo, certamente sofrerão desgaste. "Além disso, não mostra se a empresa está muito endividada, por exemplo. Ela pode estar em situação delicada", acrescenta Paulo Esteves.

Valor de empresa sobre Ebitda (VE / Ebitda): relaciona o valor de empresa com sua capacidade de geração de caixa, aferida pelo Ebitda. O valor de empresa equivale ao valor de mercado acrescido de sua dívida líquida, ou seja, o valor pertencente aos acionistas e aquele pertencente aos credores. O valor de mercado, por sua vez, é expresso pela cotação da ação multiplicada pela quantidade total de ações.

Margem Bruta: relaciona Lucro Bruto com as vendas em um determinado exercício. Demonstra quanto, de cada real vendido, permaneceu na empresa na forma de Lucro Bruto.
Margem Bruta = Lucro Bruto / Vendas Líquidas
Se o resultado for, por exemplo, 0,06, significa que, de cada real vendido ou de serviço prestado, 6 centavos sobram de lucro para a empresa. Pode-se fazer o mesmo cálculo utilizando-se, em vez do Lucro Bruto, o Lucro Operacional e o Lucro Líquido, obtendo-se, respectivamente, a Margem Operacional e a Margem Líquida.

Valor Patrimonial da Ação (VPA): representa o valor intrínseco da ação.
VPA = Patrimônio Líquido / Quantidade de Ações
Se as ações são negociadas acima de seu VPA, significa que o mercado tem boas expectativas em relação à empresa e, por isso, os investidores aceitam pagar mais do que a ação teoricamente valeria. Do contrário, significa que o mercado tem expectativas negativas em relação à empresa ou a seu setor. No entanto, o investidor não deve se enganar: ações negociadas a cotações muito acima de seu VPA podem indicar euforia. Quando isso acontece, pode ser que a empresa não consiga entregar os resultados esperados. No caso de uma crise, o choque no preço dessas ações é especialmente desastroso para o investidor.

Análise Fundamentalista 4

Preço por Valor Patrimonial da Ação (P/VPA): indica a relação entre o preço da ação (sua cotação no mercado) e seu valor patrimonial.
Fórmula: Preço da ação / VPA
Se o resultado for acima de 1, significa que a ação está sobreavaliada pelo mercado. Abaixo de 1, indica que está subavaliada.

Rentabilidade sobre Patrimônio (RPL): representa a taxa de retorno do acionista, medindo a capacidade da empresa de gerar lucro a partir de seu patrimônio, ou seja, do capital investido.
RPL = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido
Quanto maior for esse indicador, melhor. Ao aumentar de ano em ano, esse múltiplo mostra que a performance da empresa foi melhor (pois mostra que o mesmo capital gerou mais lucro).

Preço / Lucro (P/L): é um dos múltiplos mais importantes da análise fundamentalista. Indica ao acionista o tempo de retorno do seu investimento, isto é, o número de anos necessários para que o investidor lucre a partir de sua aplicação.
Fórmula: Preço da ação / Lucro por ação
O Lucro por ação é obtido dividindo-se o Lucro Líquido pela quantidade de ações. Esse múltiplo é um bom indicador de "preço" da ação, pois, simplificadamente, quanto menor o P/L, menor o preço. Não se deve, no entanto, comprar uma ação só porque seu preço está "baixo". Quando se compara papéis de empresas de um mesmo setor, por exemplo, um P/L mais elevado em relação a uma das companhias indica o otimismo do mercado em relação ao seu desempenho.
É bom verificar, no entanto, se houve alguma anormalidade no lucro do último ano, bem como a expectativa de lucro para o próximo exercício, a fim de definir se a relação entre os dois indicadores - preço e lucro - vai se manter ou não.
Taxa de retorno (TR): é o inverso do P/L. Assim, a TR mostra, percentualmente, o quanto se obtém em um ano.
TR = (L/P) x 100
Ou seja, se o P/L de uma empresa é de quatro anos, isso significa que o investimento só será inteiramente recuperado em quatro anos e que, a partir daí, teoricamente, o acionista começa a lucrar. Essa mesma empresa terá uma TR de 25%, o que indica que, em um ano, o acionista recupera 25% de seu investimento.
Dividend Yield (DY): indica o quanto a empresa distribui de dividendos a seus acionistas, em percentual sobre o valor de mercado da ação.

DY = (Valor total dos Dividendos / Cotação da Ação) x 100
Ou seja, se uma ação vale 100 reais e a empresa distribuiu, no último exercício, 8 reais em dividendos, o valor do DY será de 8%. Vale lembrar que empresas que mantêm um elevado DY possuem papéis de menor volatilidade, já que a maior parte dos retornos ao acionista vem na forma de dividendos e não pelo aumento no valor da ação. DYs elevados são mais característicos, portanto, de empresas em estágio mais maduro de negócios, que não investem pesadamente em expansões no médio prazo.